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Mesopotâmia é um dos livros mais líricos e íntimos de Serhiy Zhadan, fundindo prosa e poesia numa única paisagem emocional. Passado numa cidade do leste da Ucrânia sem nome que evoca fortemente Kharkiv, o livro desenrola-se como um mosaico de histórias interligadas sobre amor, amizade, perda e sobrevivência quotidiana. Cada narrativa está enraizada no lugar — pátios, ruas, apartamentos — onde histórias pessoais se cruzam com a memória coletiva.
Zhadan escreve sobre pessoas que ficam, pessoas que partem e aquelas que regressam demasiado tarde. A sua linguagem é musical, contida e profundamente humana, captando momentos de ternura em meio à decadência urbana e vulnerabilidade emocional. Mesopotâmia não é um romance linear, mas um ritmo cuidadosamente composto de vozes e humores, onde a poesia continua a prosa e a prosa expande a poesia. É um livro sobre pertença, sobre cidades que nos moldam e sobre o amor que persiste apesar da fragilidade.