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Em El río tiene raíces, a aclamada autora de fantasia Amal El-Mohtar regressa com uma novela compacta e atmosférica que mistura contos de fadas, folclore e um drama emocional contido. Publicada em espanhol pela Obscura Editorial e traduzida por Pilar Ramírez Tello, a história decorre em Thistleford, uma pequena aldeia na orla da Arcádia, a Terra das Fadas, mesmo na fronteira com as chamadas Terras Mortais.
No centro do livro está a família Hawthorn, guardiã dos salgueiros que crescem ao longo do rio. A sua tarefa é invulgar: cuidam das árvores e da “gramática” dos seus ramos, e cantam-lhes em agradecimento pelo abrigo e equilíbrio que trazem à terra. Ninguém cumpre este dever com mais dedicação do que as duas irmãs mais novas, Esther e Ysabel Hawthorn, cujas vozes harmonizadas podem comover e perturbar quem as ouve.
A frágil harmonia de Thistleford rompe-se quando Esther rejeita um pretendente cujo único interesse real reside na riqueza e no estatuto. A sua decisão desencadeia consequências que vão muito além do orgulho ferido. O laço entre as irmãs é posto à prova, a segurança da família é ameaçada, e o próprio rio parece responder à tensão entre lealdade, desejo e posse.
Através de uma prosa precisa e musical, El-Mohtar explora temas como irmandade, consentimento, poder e o custo de dizer “não” num mundo moldado por acordos e obrigações. A novela lê-se como um conto de fadas moderno: há canções, feitiços e uma paisagem que parece viva, mas também reflexões agudas sobre ganância, direito adquirido e o direito de definir o próprio futuro.
Esta edição em espanhol é ideal para leitores que apreciam fantasia lírica, novelas independentes e construção íntima de mundos em vez de sagas épicas. Os fãs de This Is How You Lose the Time War reconhecerão a atenção característica de El-Mohtar à linguagem e à emoção, agora canalizada numa história autónoma que pode ser lida numa só noite, mas que permanece na mente muito tempo depois. Adicione El río tiene raíces à sua estante de fantasia se procura um livro curto e evocativo onde música, árvores e escolhas humanas se entrelaçam num único rio de consequências.